Guimarães Rosa já dizia que mestre é aquele que, de repente, aprende. Esta página é um exemplo disso. Eu aprendo muito pesquisando sobre os assuntos das postagens, aprendo muito com as contribuições dos leitores.
Os textos que apresentam aqui são resultado da minha visão do BDSM, a partir da minha vivência no meio e das minhas leituras. Outras pessoas podem ter visões diferentes e isso é bastante saudável, inclusive em termos de contribuição.
Entretanto, há um ponto em que sou absolutamente radical, uma pedra-base do BDSM do qual não abro mão: a consensualidade.
Se abrirmos mão da consensualidade, o BDSM se torna abuso puro e simples
Toda submissa tem seus limites, que devem ser respeitados. Ninguém deve ser obrigado a fazer o que não quer apenas porque está numa relação BDSM. Muito pelo contrário.
Claro que há um nuance aí. A escritora Sophie Morgan escreve, no livro Diário de uma submissa, que uma sub não faz aquilo que quer, mas é obrigada a fazer aquilo que secretamente deseja. Um Dominador inteligente é capaz de perceber que muitas vezes algo é um desejo da sua posse, mas ela é incapaz de dizer ou expressar.
Muitas vezes limites normais (aqueles com os quais a sub tem dificuldade, mas que podem ser ultrapassados com cuidado e atenção) expressam na verdade, desejos. Uma amiga era incapaz de dizer que queria se relacionar com mulher, mas secretamente desejava isso. O dono percebeu isso e a estimulou a expressar esse desejo. No momento certo, ela teve a experiência e adorou. Mas ali ela não estava sendo obrigada a fazer o que não queria. Ela apenas foi capaz de expressar algo que secretamente desejava, mas não tinha coragem, em vista das convenções sociais.
Por outro lado, limites rígidos, aqueles que a sub nunca faria delineiam as fronteiras da consensualidade. Limites rígidos são coisas que a submissa nunca faria, são práticas que não lhe dão nenhum prazer, que muitas vezes lhe provocam asco. Varia de pessoa para pessoa, mas a grande maioria com as quais já conversei fala em práticas que envolvam sangue, fezes e crianças (particularmente esses são limites para mim também, pois nenhuma dessas práticas me parece minimamente erótica).
Por exemplo: Obrigar uma submissa a comer fezes, tendo ela dito que esse é um limite rígido, não é BDSM, é abuso puro e simples. Sem a consensualidade, o BDSM deixa de ser BDSM.
Deixar de lado a consensualidade e permitir que uma submissa seja vista como uma pessoa que é obrigada a fazer aquilo que não quer é abrir espaço em nosso meio para o que há de pior na sociedade, inclusive a pedofilia – afinal crianças não têm maturidade para darem seu consentimento na relação. (MestreSade)
Mestre Sade
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Boa noite! Sou novato no assunto e preciso de muitas informações acho que aqui eu vou conseguir